A maior flor do mundo – José Saramago

“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andando a ensinar?”

(José Saramago)

A maior flor do mundo é uma magnífica história para crianças, mas, antes de tudo, é um legítimo Saramago, no qual transforma-se em personagem e conta que sempre quis escrever um livro infantil sobre um menino que faz nascer a maior árvore do mundo.

Saramago não se julgava capaz de escrever para crianças, mas chegou a imaginar que, se tivesse as qualidades necessárias para colocar a ideia no papel, ela resultaria verdadeiramente extraordinária: “seria a mais linda de todas as que se escreveram desde o tempo dos contos de fadas e princesas encantadas…”.

Para Saramago, a literatura é o lugar do impossível, onde o menino da história faz uma simples flor dar sombra como se fosse um carvalho. Depois, quando ele “passava pelas ruas, as pessoas diziam que ele saíra da aldeia para ir fazer uma coisa que era muito maior do que o seu tamanho e do que todos os tamanhos”.

A historia é repleta de reflexões sobre infância, individualismo e existencialismo em forma de uma poesia. A criança protagonista da história, se por um lado, cresceu num mundo dominado pela ambição desmedida, individualismo e falta de ideais dos adultos, por outro, souber ser capaz de observar a vida e aprender solidariedade, esperança no futuro e no trabalho. O personagem assim, transformou-se no ensinamento dos valores e ideais que os adultos acham em ensinar as crianças. E como nos velhos livros de literatura infantil, Saramago conclui: “E é essa a moral da história”.

O título foi altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ 2001, categoria criança. Também foi uma animação com a história, que foi narrada pelo próprio José Saramago.

A animação com direção de Juan Pablo Etcheverry e produzida em 2007, ganhou o prêmio de melhor animação do Anchorage Internacional Film Festival e foi nomeado para os Goya deste ano na categoria de melhor curta-metragem. Saramago aparece no filme, como narrador e como personagem.

TEXTO DEJosé Saramago
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