Sobre perguntas e “respostas sopradas ao vento”…

Hoje, ouvindo pela enésima vez “Blowin´ in the Wind”, de Bob Dylan, me vi envolvida na melancolia de quando era adolescente e escutava essa música no rádio. Linda, não? Sim, linda e dolorosamente verdadeira. Tenho um grande apreço emocional por canções assim tão fortes, tão belas em suas verdades que machucam.

A canção traz perguntas que ainda, como sociedade, não somos capazes de responder. Pois a meu ver, quando nos referimos à Sociedade, só há uma forma de responder às questões que as envolvam: RESOLVENDO A PERGUNTA.

Vou lançar um exemplo comum a quase todas as cidades do mundo: Sempre que ando pelas ruas de Beagá (leia-se: Belo Horizonte, Minas Gerais), minha cidade, vejo muitas pessoas em situação de rua. O número cresce mês a mês e as condições em que vivem essas pessoas são indiscutivelmente ruins. Por incontáveis vezes, pude conversar sobre o assunto com conhecidos e desconhecidos. A maioria se incomoda com a presença delas e quer que elas não estejam mais nas ruas. Claro, ninguém merece viver em tais condições, tão desumanas e indignas.

Além do fato de que elas “incomodam” a maioria das pessoas que transita pela cidade e não participa dessa realidade cruel. Não discutirei, por hoje, tal “incômodo” nem os motivos que possam levá-las a viver nas ruas. Então lanço, no meio da conversa, as perguntas: “Mas como tirá-las das ruas? Em sua opinião, como isso deve ser feito?”. Nunca obtive resposta.

Como citei acima, para responder à pergunta é preciso resolver o problema/situação. Nem irei me ater à questão de pessoas em situação de rua, pois a resposta já sabemos. A Sociedade não quer responder, porque responder é ter que resolver o problema social que elas representam.

Como estudante de Arquitetura e Urbanismo (assumo que foi o Urbanismo que me levou ao curso), observo a cidade e as pessoas ao meu redor. Observo, questiono, leio, vivo a cidade em que estou. Ouvi, às vésperas de me matricular na faculdade, um arquiteto dizer em uma emissora de TV paga: “Um arquiteto tem que ser otimista, tem que acreditar nas pessoas e no mundo. Ou de nada servirá seu trabalho”.

Tais palavras me movem, mesmo em meio ao caos de um mundo cada dia menos empático e mais agressivo. Mesmo ouvindo as perguntas pertinentes e ainda sem respostas da canção de Bob Dylan.

Quando o homem poderá ser chamado de homem?
Quando a paz existirá entre países e pessoas?
Quando findarão todas as guerras?
Quando a Humanidade será verdadeiramente livre?
Quando o ser humano aprenderá a perceber o choro de seus irmãos que sofrem?
Quando a empatia será um hábito comum entre todos os humanos?
“The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind?”
(A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento…)

Por hora, fico com Dylan e suas canções repletas de força, verdade e questões ainda não respondidas. Mesmo porque questionar já é meio caminho para a resposta.

Cristhiane Valentim é estudante de Arquitetura e Urbanismo

Link para a canção que me inspirou a escrever o texto acima e a levantar ainda mais questões:

Cristhiane Valentim é estudante de Arquitetura e Urbanismo

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