04 de março de 2016 – Um dia que marcará a história do Brasil

Former Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva waves to supporters as he arrives at his apartment building after being detained for questioning in a federal investigation of a bribery and money laundering scheme in Sao Paulo, Brazil, March 4, 2016. REUTERS/Paulo Whitaker TPX IMAGES OF THE DAY

Este dia 04 de março de 2016 entrará para a história do Brasil como o dia em que vivemos o cume da passionalidade. Luis Inácio Lula da Silva, senhor que já ocupou a Presidência da República do Brasil, é detido para averiguações junto à Justiça Federal.

A polarização dos discursos governistas e antigovernistas dá a tônica onde deveria valer a reflexão pausada e serena sobre as teses e antíteses do momento histórico em que estamos inseridos.

A corrupção, no Brasil, aliada à impunidade, é um mal que drena, acima das nossas finanças, a esperança de milhares de brasileiros que se veem roubados quando pagam os seus impostos e observam o enriquecimento daqueles que deveriam administrá-los para o bem de todos.

Problemas estruturais que refletem diretamente na dignidade do povo brasileiro se perpetuam em estatísticas só relembradas em tempos de eleição. O Sistema Único de Saúde presta serviços de aviltante qualidade, a Assistência Social e a Previdência costumam desamparar o cidadão nos momentos em que ele mais necessita de auxílio. A sistema educacional dá vexame. Os moradores das grandes cidades vivem em meio à guerra entre traficantes e, nesta guerra, somos todos reféns, aprisionados pelo medo.

É preciso mudar. Disso ninguém é capaz de ter dúvidas. Mas começar por onde, se quando encostam no nosso calo, no nosso “calcanhar de Aquiles” pessoal nós mudamos o discurso? Tem que prender o corrupto do partido alheio, tem que majorar as penas do adversário político que infringiu a lei, tem que processar, tem que prender, mas sempre quem estiver do outro lado da nossa fictícia fronteira ideológica.

O problema do Brasil é sempre o outro. O Governo anterior, o outro partido, o outro administrador, coisas de um outro tempo e um outro mandato. Não sabemos assumir a culpa das mazelas nacionais.

Enquanto assim procedermos, o Brasil será sempre esse campo de batalhas pseudo ideológicas cuja lógica é tão somente o ganho próprio, a benesse pessoal, a vantagem mais próxima, a prosperidade dos nossos…

Se continuarmos a aceitar o sistema eleitoral do modo com que ele hoje se nos apresenta, cabe-nos, como povo, fazer, com o nosso voto, a permuta entre iguais. Afinal, na política brasileira, hoje, todo seis é meia dúzia.

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Nara Rúbia Ribeiro
Advogada, poeta, escritora, idealizadora e responsável pela edição geral da Revista Pazes.



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